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Agrotóxicos atingem mais de 220 comunidades no MA e acendem alerta sanitário

Reprodução de imagem: Internet

Um levantamento do Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia da Universidade Federal do Maranhão (Lepeng-UFMA) revelou um cenário preocupante no Maranhão: 222 comunidades rurais foram impactadas pela pulverização de agrotóxicos entre janeiro e março deste ano. Os dados acendem um alerta não apenas para a saúde pública, mas também para os impactos ambientais e socioeconômicos nas regiões atingidas.

De acordo com o estudo, o mês de janeiro concentrou o maior número de ocorrências, com 142 registros — número superior ao total de casos contabilizados ao longo de todo o ano de 2025. Em fevereiro, houve uma redução nas notificações, mas os pesquisadores apontam a possibilidade de subnotificação, motivada principalmente pelo medo de represálias e pela dificuldade de formalizar denúncias. Já em março, 45 comunidades foram afetadas, distribuídas em 11 municípios.

Entre as cidades mais atingidas estão São Benedito do Rio Preto, Chapadinha, Brejo, Anapurus e Timbiras. Mesmo em municípios onde há legislação que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos, como Brejo e Timbiras, os registros persistem, evidenciando falhas na fiscalização e no cumprimento das normas.

O relatório também destaca que mais de 75% das ocorrências atingem comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas. Em Chapadinha, por exemplo, 18 comunidades foram afetadas apenas no mês de fevereiro. Já em São Benedito do Rio Preto, 27 localidades registraram impactos em janeiro, muitas delas formadas por populações quilombolas.

Há ainda registros em territórios indígenas, como Alto Turiaçu e Bacurizinho, onde aldeias do povo Guajajara foram diretamente atingidas. Esses dados reforçam a vulnerabilidade dessas populações, que dependem diretamente do território para sua subsistência e preservação cultural.

Outro fator apontado como responsável pelos impactos é o chamado “efeito deriva”, fenômeno em que os agrotóxicos aplicados em determinada área são levados pelo vento, alcançando regiões vizinhas. Esse processo amplia o alcance da contaminação, atingindo plantações, fontes de água e residências.

Diante do cenário, especialistas alertam para a necessidade de reforço na fiscalização, ampliação dos canais de denúncia e adoção de políticas públicas que garantam a proteção das comunidades afetadas, sobretudo aquelas em situação de maior vulnerabilidade.

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